23 janeiro 2011

lo que nos recuerda / o que nos lembra

I
lo que nos recuerda las manos son las cuerdas
entonces manifiesto por los ojos la angustia y la crueldad
del plástico forzado por mi cadáver
es mantenerse incluso cuando los brazos forman huecos
no el estómago cansado
sino la insolencia de rasgar su privilegio
la cercanía limita el encaje que es la carne
mediante el grito que nos triunfa en delirio acabado
yo me postergo y me rebelo
contra la blanca solicitud de la pared reinante
y cargo heridas
aullar o permitirse el encierro
creo pero tener
el desnudo babosa el rastro plateado
y mi jurar no consentirse en espejos indecibles
es la lo
que das
mi búsqueda es un cuchillo o una piedra y otra flecha
machacadas contra la fuerza recta
pero quiero pertenecer
la cocina tiene patas son las arañas restantes
de la comida podrida
de mamá
es el designio de la abuela antes de
muerta
es mi propio ser habitando por la risa abierta
la gota seca de la rabia marcando muecas
mi baba retorcida en precipicios
a pleno diente roto su garganta es mi depósito

II
los gritos son el inicio de toda creación maldita
fieras de mi alteración el golpe de los pasos y las puertas
que vienen por qué no se van ajenas a todo lo que se suicida
por qué no te corto los pies
y elevo al mundo
fija a las necesidades altas porque no queda fondo que
temblar
la visión única de la cuna muerta por asfixia
de una escalera comunicando con mi palabra
metástasis es mi hermana
o el desequilibrio sin presencias deformadas
dentro de una habitación sostenida por la basura


V
la entrada es por el ombligo de toda muerte
donde el llanto mastica
la escara sacra por donde se asoman los huesos
a través de la carne
yo me perjudico el ojo
cuando la bestia resplandece el cierre
yo abro los labios
y demuestro hambre
es la lujuria de Dios con su hábito de sombra
arrastrando mi nacimiento contra las ventanas

Yamila Greco



I
o que nos lembra as mãos são as cordas
então manifesto pelos olhos a angústia e a crueldade
do plástico forçado pelo meu cadáver
é manter-se dentro quando os braços formam vazios
não o estômago cansado
antes a insolência de rasgar o seu privilégio
a proximidade limita o encaixe que é a carne
mediante o grito que nos triunfa em delírio acabado
postergo-me e rebelo-me
contra a branca solicitude da parede reinante
e carrego feridas
uivar ou permitir-se o cerro
creio mas ter
a nudez lesma o rastro prateado
e jurar-me não me consentir em espelhos indizíveis
é a o
que dás
a minha procura é uma faca ou uma pedra e outra flecha
trituradas contra a força recta
mas quero pertencer
a cozinha tem patas são as aranhas que ficaram
da comida podre
da mamã
é o desígnio da avó antes de
morrer
é o meu próprio ser habitando pelo riso aberto
a gota seca da raiva assinalando caretas
a minha baba retorcida em precipícios
com todos os dentes rasgo a sua garganta é o meu depósito

II
os gritos são o início de toda a criação maldita
feras da minha alteração o barulho dos passos e as portas
que vêm porque não se vão alheias a tudo o que se suicida
porque não te corto os pés
e elevo ao mundo
presa às necessidades altas porque não sobra fundo para
tremer
a visão única do berço morto por asfixia
de uma escada comunicando com a minha palavra
metástase é minha irmã
ou o desequilíbrio sem presenças deformadas
dentro de um quarto sustido pelo lixo

V
a entrada é pelo umbigo de qualquer morte
onde o pranto mastiga
a escara sacra por onde assomam os ossos
através da carne
prejudico o meu olho
quando a besta resplandece o fecho
eu abro os lábios
e demonstro fome
é a luxúria de Deus com seu hábito de sombra
arremessando o meu nascimento contra as janelas

(trad: alberto augusto)