28 janeiro 2011

quiromancia sanguínea



o meu público esmaga-se com amoras
e uvas de sangue nas mãos e nas manhãs
e esta chuva, que irrompe como uma catástrofe e uma náusea,
reencontra o seu sentido num passeio de fogo e dióxido e petróleo

com as marés sobre os lábios
transito para o outro lado da ponte com as luzes apagadas
e amarro-me nas gretas
com as amoras presas sobre o tempo e a chuva

lanternas de negro submersas nas candeias
abismo de pulsos e gotas de sangue
que os meus vidros cristalizam uma outra dor
- a da vida -
e esta manhã irrompe-me a boca com amoras
e tonturas

adivinho a dor por entre os dentes
e as artérias