08 janeiro 2011

Variação 4: Telescópio

sem título


eu abracei o amanhecer de um mundo
multissolar.

dizia-se que havia talvez vida
nessas dilucular's herdades,
mas a rebentação das águas era incerta,
e nós passávamos o tempo com conversas
de caserna:

- o queijo desta, o cu daquela...

caminhámos.
só com garrafas era fácil respirar.
com putativos combustíveis de futuro
concebíamos bolas para o futebol.
livres do peso do latim,
marcávamos os golos a voar.

a prospecção do descampado descambou:
- uma flor!
(o vento faz das pétalas constelações:

.....c
.....o...............mel
...i.l.i..............rop........e.......maria-maria-maria)
.....b...............vir
.....r

ele sorriu ao recordar as maresias,
reconhecendo o seu desejo de rescrita
genealógica.

então, pau-latinamente, ele fez o trabalho de poda. no chão, como se fosse um insecto himenóptero. no paul emergente, já os amantes febres como bezerras. depois em sonhos, eles levitavam sobre imensos lilases de sangue: uma cidade solarenga.

esta é uma história muito antiga que eu ouvi
numa maternidade da província
do midi:
extingue-se de novo o mesozoico
quando nos cai nos braços uma criança.

pedro ludgero