03 fevereiro 2011

excorrentes I – epistemologias das merdilheiras


Merdilheiras são tecidos farpados que revestem as exterioridades das madrigueiras fornecendo-lhes as óbvias áreas rupestres de ocorrências multiplicadas de batalhas de rabos de raposas. No decorrer das melífluas ingestões rutilantes do vinho as percepções reticulares incandescem felinamente afiadas até à ponta dos bigodes, a indolência embala-se por motricidade emotiva escrevinhada pelas salivas tingidas de uva. O vapor horizontaliza-se por fumeiros regougados. Já as trinchas entrincheiradas entram em autocombustão fazendo rir os farrapos do vinho. Da zona exterior uma panóplia de campos de concentração sem centralidade, sem concêntricos. Todavia as vagas de manchas cinzentas eram invisíveis ao toque, mas escorriam-se em catadupa pelas vitrinas farpadas. Sem contaminar, mas com existência persistem no silêncio que se desfaz à crepitação de pedaços de arfagem. Os excrementos das labaredas ejaculam-se pelas chaminés do catarro libertário metamorfoseando-se na massa cinzenta da descerebrização ambulante que se trincha, que se penetra à trincheira da inocorrência, e assim ocorrem como se fossem. Merdilham. E vomitam pelos olhos como túmulos negros que falecem todos os dias ao tempo certo de outro relojoeiro que tudo tem excepto a pilha. E empilham-se como corpos cénicos de uma guerra que explode dentro de cada transmissão de ordenamento de território sináptico. O terrortório. Lambem os parapeitos suicidados. E sem quebrar. Mas na representação madrigueiral as molduras reinventam os moldes. São despimentos de uma pulsão que impulsiona por não se sair. Por não se romper. Por não se aspirar à chaminé. Por desejar o facto de facto. E entre a enclausura forçada pela força de desejos cantados à garrafa meia-vazia a aspersão meia-cheia de gorgolejos próprios de quem está a arder. A simetria verde deriva a simetria azul e o cinzento colapsa por não ter desfarpado tecidos. Que caem. Entre salivas temperadas à rutilância vínica. As faúlhas atestam a potência da madrigueira. Ascendem segundo o princípio irredutível da gravidade invertida. É a agudeza do gemido timbrado à extasiação pelo suave adorno do corpo moldável a si mesmo. Dizem-se as flores rubras da excrescência incendiária. Até as pálpebras decidirem o rumo final das epistemologias beijadas.