28 fevereiro 2011

L'espai efímer del record



Editou-se hoje o nº 49 de sèrieAlfa, dedicado a poetas cabo-verdianos. Dentre eles Arménio Vieira do qual deixamos aqui um poema


Lisboa - 1971
A Ovídio Martins e Oswaldo Osório
Em verdade Lisboa não estava ali para nos saudar.
Eis-nos enfim transidos e quase perdidos
no meio de guardas e aviões da Portela
Em verdade éramos o gado mais pobre
d’África trazido àquele lugar
e como folhas varridas pela vassoura do vento
nossos paramentos de presunção e de casta.
E quando mais tarde surpreendemos o espanto
da mulher que vendia maçãs
e queria saber d’onde… ao que vínhamos
descobrimos o logro a circular no coração do Império.
Porém o desencanto, que desce ao peito
e trepa a montanha,
necessita da levedura que o tempo fornece.
E num camião, por entre caixotes e resquícios da véspera,
fomos seguindo nosso destino
naquela manhã friorenta e molhada por chuviscos d’inverno.


Lisboa – 1971
 
A Ovídio Martins i Oswaldo Osório
 
En veritat Lisboa no hi era per saludar-nos.
 
Heu-nos ací, per fi, embalbits i quasi perduts
enmig de guardes i avions de Portela
 
En veritat érem el bestiar més pobre
d’Àfrica portat a aquell indret
i com fulles agranades  per l'escombra del vent
els nostres paraments de presumpció i de casta.
 
I quan més tard vam sorprendre l'espant
de la dona que venia pomes
i volia saber d’on… a què veníem
vam descobrir l’enganyifa circulant pel cor de l’Imperi.
 
Però el desencant, que baixa al pit
i puja la muntanya,
necessita del llevat que el temps forneix.
 
I en un camió, entre basquets i restes de la vespra,
seguírem el nostre destí
en aquell matí fredolic i mullat pels plugims d’hivern.

trad para catalão: joan navarro