13 fevereiro 2011

Ven a mí / Vem a mim

Ven a mí, ahora que nadie nos ve, ahora que lo verde de este maléfico jardín entró en la austeridad anónima de una noche de verano. Ven a mí: si vienes, las estrellas seguirán siéndolo, la luna no se cambiará con colores ultrajantes ni habrá metamorfosis dañinas. Nadie verá que tú vienes a mí. Ni siquiera yo, pues yo ya estoy muy lejos, yo ya estoy en otro mundo, amándote con una furia que no imaginas. Ven a mí si quieres salvarte de mi locura y de mi rabia, ten piedad de ti y ven a mí. Nadie lo sabrá, ni siquiera yo, pues yo estoy vagando por las calles de otra ciudad, vestida de mendiga vieja, acoplando tus nombres a canciones obscuras que son como puñales para fijar mi delirio. Mi sangre, mi sexo, mi sagrada manía de creerme yo, mi porvenir inmutable, mi pasado que viene, mi atrio donde muero cada noche. Oh ven, nada ni nadie lo sabrán nunca. Aun cuando yo no lo quiera ven. Aun cuando yo te odio y te abandone, ven y tómame a la fuerza.

alejandra pizarnik

Vem a mim, agora que ninguém nos vê, agora que o verde deste maléfico jardim entrou na austeridade anónima de uma noite de verão. Vem a mim: se vieres, as estrelas continuarão estrelas, a lua não se mudará em cores ultrajantes nem haverá metamorfoses daninhas. Ninguém verá que vens a mim. Nem eu sequer que já estou muito longe, já estou noutro mundo, amando-te com uma fúria que não imaginas. Vem a mim se quiseres salvar-te da minha loucura e da minha raiva, tem piedade de ti e vem a mim. Ninguém saberá, nem sequer eu que vagueio pelas ruas de outra cidade vestida de mendiga velha, acoplando os teus nomes em canções obscuras que são como punhais para fixar o meu delírio. O meu sangue, o meu sexo, a minha sagrada mania de acreditar que sou eu, o meu devir imutável, o meu passado que chega, o meu átrio onde morro todas as noites. Oh, vem, nada nem ninguém jamais o saberá. Mesmo que eu não queira, vem. Mesmo quando te odeie e te abandone, vem e possui-me à força.

(trad: alberto augusto)