29 março 2011

Diplexil


textualizar-me é circular nas vitrines da pele
um corpo adormece
nos olhares fogem as memórias doutro tempo
- o tempo como a irrealidade escatológica
do sangue -

abrir as têmporas à luz que circunda a primavera
comer a minha mãe com a violência de uma guerra
as manhãs são esses círculos que fecundam o útero
- as ante-bocas nos campos das úlceras
psicóticas das rosas -

uma espora abre-se nos neurónios
e é como se a vida obtivesse um cometa sobre a língua
e as águas profetizassem o coração aberto sobre o sol
- o mar cospe a garganta pelo fosso translúcido do transe
uma penumbra cai sobre os olhos -

carlos vinagre