25 abril 2011

Corpo- Espermódico


Analiso-me até os olhos. A minha sabedoria é uma ovulação espermódica. Com o coração às ondas, vacilo pelas trevas da realidade, com um tocha sobre a língua, com uma côdea sobre a boca, com a água a cair-me do corpo - encontro uma salvação que é lúcida e a águia sobrevoa a impermanência.
Esta alegria que percorre todo o meu quintal, que estala o fogo, que me atira para uma foz desconhecida, coberta por um oceano de ideias - há uma labareda estonteada pela plataforma da tiróide e um astro atravessa a minha boca até o ânus do mundo.
Arruecem as cidades. Uma mão de nuvens liberta a atmosfera, há uma aurora vadia nas linhas da vida....
Se eu me percorresse até ao desfecho, até que o sol se bastasse e o meu corpo fosse a janela de um outro mundo, eu acordaria sonâmbulo com um cisne no cérebro a palpitar o triângulo da noite... Estar aqui é estalar em cada porta.
A chuva recomeça. Recorto-te aos pedacinhos de mel, uma cadeia de flutuações entristece, como uma colmeia, penso que te agacho numa esquina qualquer, estás distante no mundo, estás suspensa como as pessoas, o teu sentido íntimo é caminhares pelo pão que não se come, numa savana extinta de panteras e com crateras imundas num vapor ácido de translucidade.
Percorro-te novamente. As abelhas cismam nas bagas da vagosidade, um torpor encereja as pernas da tua mediunidade, o  mundo recolhe-se da esquina ao virar de uma leitura.
Esta alegria, como uma horta, um quintal de ideias, um oceano mundano de astros, essa cerveja de crateras, é o pântano da nossa lucidade, da nossa cereja, o corpo a extinguir-se imundo nas paredes do sanatório, a espiral do universo a tombar às bagas sobre a nossa vagosidade e o destino a definir-se como uma criança num complexo extinto de mediunidade... a cada esquina de óleo tolero-te como uma alegria...