16 maio 2011

ar ruão


(regra única do jogo: fazer miminhos à aurora)

ainda bulia nas fachadas o nada dos palácios. mesmo estagnadas, as águas estavam! o trilho de sombras largado pelas campas não era letal. caminhei, sentindo lápides mornas nos rins, e a maconha fez-me ver as asas do meu próprio nariz. silêncio.

o primeiro amanhecimento foi, no beco já cheio de perfumes de saída, um cometa que ronronou.

ciciei para o tesão pardo que desfez a continência através dos pinheiros alvares: no cimo seminal eu reconheci a fera.

então, uma a uma, eu puxei as garras. na praça, feliz como um spartacus. degolando os galos que nos anunciassem em cantochão. encandeando os olivais nos limites da cidade, por onde vendemos a luz às carradas.

ao ar plenamente livre, livre de jogos florais, eu abracei o ódio de estimação, e senti o tudo das suas garras. caí sozinho: mesmo agitadas, as águas eram fatais.

(ir perdendo a vida dia a dia é já meio sustento)