25 maio 2011

a visão do túnel



Os espíritos estão aqui. Estão perto de mim. Uma pele. A segunda pele. A psicose a caminhar de mãos dadas com a morte. O revólver é a vida. A transferência do sol avisa-se por entre as abóboras. Os olhos escondem a realidade. Os espíritos rebentam os miolos. A posse das horas pelo esqueleto do movimento. Cai o tempo pelas cortinas.
O negro caminha em direcção ao nenhures. Ao acordar sacode-nos um choro. Uma tristeza milenar berra nos meus ouvidos. Deixa-me a dormir. Atropela-me. Deixa-me na cortina da minha segunda pele. Deixa-me cultivar o substrato, a visão do túnel. Mas não me deixes só. Adoece-me o corpo a transfusão o lado nu do túnel escuro. Estendo-me no tecto, penso no percurso, está distante... Adio-me.
Os espíritos atropelam-me. Choro por uma razão que não compreendo. Estala o pescoço.
Rebenta o ar. Fecho-me na viagem sem homem. Cobre-me a cara. Escondo-me.
Sacode-me depressa morte. Estrangula o pescoço até ao exausto.
Sacode-me oh arvoredo do corpo. Choro numa outra vida e sem desfecho.
A lagoa aquece.