22 junho 2011

eclipse


no colo imaginário funde-se o tempo e o sonho
porque rasgas a fenda do espaço sináptico
pai

o antiquíssimo impulso dilacera
virás partilhar a espuma do mar na palavra inaudível dos olhos
pergunto
virás

as mãos cheias de mundo
soltarão juntas a melíflua dádiva

dá-me esse dia que eu entrego-te o brilho da criação

que sono dormes agora na inerte inquietude do corpo
renasces alado na curva do sopro
não existem pegadas no peito celeste das aves
todos nascem quando acordam
mestres de si

a alegria é a empresa que temos adiada
desprivatiza o silêncio e o pelourinho do sangue

a madrugada acende o canto de fogo

rego a horta por ti
crescem  teus
inéditos risos nas folhas
que todos os dias se alongam verdejantes
guarda o sol dentro de ti

ansiolítica a noite quebrará o espelho
o lago renascentista fluirá suspenso
salgado
merífico na esfera azul

vou ajaezar o caracol
saio de coração às costas
já te abraço principalmente

Fátima Vale