11 junho 2011

RECÔNDITA ARTE - O TORDO E O BOI - NA NEBLINA - GRALHA DO OBSTINADO - O FENO E OS MUROS -


A Maria Estela Guedes

1.
A despercebida voz - do fidedigno - as aves e o cervo - à beira do caminho -
O monte de calcário - para o céu - gralha do obstinado - o feno e os muros -

2.
Campo ceifado - inflexível ecrã - cálido fulgor - do branco - a desmedida do grito -
Yin e yang - as pegadas nas nuvens - do disperso - espessa luz - do desconhecido -

3.
Humidade do bosque - quietude da chama - irremediável - fala - remoinho de água -
Pela borda - do prado - o pertinaz fulgor - da pedra - o som - orfandade da acácia -

4.
O tordo e o boi - na neblina - ebriedade da mente - floresta e campos lamacentos -
Sob o incêndio - a saciedade do verme - ímpeto - da erva daninha e do carvalho -

5.
A porta franqueada da torre e os ramos de jacinto - carpas pela água do recôndito -
Mapas do comedido - porcelanas - sais- - a lâmina e o arcabuz - ociosidade do arado -

6.
A água do inalterável - nesta colina - ar nas entranhas - alcateia - dizer do incontido -
Poço que me domina - inútil voz - do insaciável - recôndita arte - larva que incandesce-