16 julho 2011

domingo

É comovente, a tua poesia
chego a ter pena de ti e às vezes medo
ardes-me na mão como uma brasa ao rubro
e eu sinto-a e apetece-me levá-la à boca, queimar-me.
adorava que me visitasses mais vezes
tens um quarto cá em casa, louceiro, agasalho
e pão, ainda fresco, coberto com um pano, na masseira de pinho.
aguardarei todos os dias, enquanto pastarei vacas até que venhas
e ordenharei úberes brancos, de leite branco e espumoso, meu poeta.
não te esqueças, às vezes tenho fome, muita fome e o jejum mata-me.

Aurelino Costa