14 julho 2011

imergindo no emerso

A Voz do Emerso
Textos: Alexandre Teixeira Mendes
Debuxos: Elisabete Pires Monteiro
Porto, 2011

Os nascituros não são questionados sobre a sua sobrexistência. Avançam para a saída como lume inspirado. Ardem no oxi_génio. São iniciados cedo no talho, ocupam-se líquidos em telas e telhas. Expelem vozes livres de doxas, ardem os seus tocos na Livre Ausência de Vontade.

Estas décadas últimas forneceram as relações com o punkt individualista, no estertor romântico. Tal exo-individualismo correspondeu a uma ausência de individualidade ou identidade tal como proclamada em acérrimo e pensamento por Brandão, Pessanha, Mário Sá-Carneiro, Luiza Neto Jorge, Hélder ou Llansol no ocidental 20º século.
A individualidade é uma matéria de si, uma destença sobre a lura financista, uma eclosão do infinito em cada um. Momentos de estar fora. Mesmo no renascentelho muralhado, aos cortelhos eróticos se exigia uma propaganza própria, uma impossibilidade não castrada pelos refrães da catulha onde o corpo deusdarava. 

Todo o individualismo fornica a individualidade que lhe não pertence.

O individualismo é uma propriedade. A individualidade é um Estando. 

Nestas leiras de regorgitar conceitos de Arte, lavramos o permanente Incesto, o Palincesto. Na turba das trajédias, a semântica genética produz correntes onde a balsa do corpo navega e se despersonaliza, se desmascara. Para encontrar o Corpo há que remover o software da personalidade, um poder ególatra castrador do eu antergo e, se antergo, continuador, acrescentador.

Olho para o Emerso como Voz do Início sem propriedades de Retorno. Neste baile da gravidade toda a Dança se manifesta por surpresa.

alberto augusto miranda