12 agosto 2011

êxtase ganapatyas

aparece desnuda a ilha wali
na magia aquiescente da frágil campina
liliputiana folhagem
amarela palha
fulgura-se nela
a coroa de espuma cósmica
sorriso desdobrado
fios de ébano no peito das velas
dobam o descanso
rendilham a dádiva ao ouvido

oh ganesha
ganesha
ganapati om
vinayaka om
vinayagar om
pillayar om
vinayakudu om

entre o campo da tessitura
planam as aves
véu livre na duna do silêncio
mimesis da memória
hermética dissolvência da resenha pura
palavra erecta
brune o epicarpo gogado
eira de sol inflamada
plurificada
lavoura fundente
que abafa de caruma a brasura da soenga
olorante incenso venal
metamorfose alotrópica do amor
gramática híbrida que se gera

brunus brunus
magnanima sapientis criatura
fumo da terra
erva-moleirinha
tratado teínico dos milagres


toda a mundanidade se pia no mergulho nocturno
pelo ósculo tépido das águas
(circula âmbar cristalizado dentro do olho)
a arena muda
afia o sorvo embriagado na fonte
(carícia que desponta da língua
no tablado fértil da galeria reservada)
vínica vox
extensa flammula

brunus brunus
brincam dois sóis no leito terracota que o vento embala

perfurando as luras floridas
atinge-se a dourada cinza do sono
viagem única
líquida semente
dentro do nenúfar
que alarga pelo calor da fricção
falo sublime
fígulo solar
pedestre humildade
do sonho habitado

nebulosa vertebral dos dias moços
dançarinos com paus de canela
no jardim festivo do algodão

fátima vale