20 setembro 2011

O que não acontece é o meu nome

O que não acontece é o meu nome: sonho.
Gostava de te traduzir numa coisa intraduzível, esperar-te pelo cair da tarde nas bocas do irreconhecível e suspender-te nas mãos como um tocha sem forma. Gostava de acontecer-te de outra maneira. E o invisível que apalpa as formas às escuras, esculpisse o meu corpo como uma trepadeira torrada na atmosfera luminosa da cera - o Outono avança pela palavra.
Gostava que outros viessem. Sentissem esta desfiguração dos olhos. Por vezes é bom fechá-los num quarto, abrir o computador, olhar a janela e em seguida sentir que estamos emersos nos olhos que nunca mais acabam.
A neve é a luz das gotas.
A boca chama por ti como se a rosa fechasse o coração pelo Outono e a língua recolhesse ao que não está dito pelas vértebras do corpo.
Às vezes acontece-me o acidente do mundo, a transformação, o transporte para o invisível- o subjacente-diante da luz do que não há - as gotas descem os lábios até ao coração e as marés vivas traduzem-se numa inclinação para a tranquilidade.
Abraço novamente os olhos, reabro por acidente o intransponível.
Entretanto meti-me nos copos durante fases episódicas. E retomei o fôlego de escrever desconhecendo as coisas, ano passado organizei muita desorigem e esforcei-me por não me concluir na hipótese que tenho do mundo.
Acolhe-me o desejo de não ter e de não abrir os espelhos pelas faúlhas da realidade. Fecho os olhos, entretenho-me a imaginar-me, retiro a roupa pelas falhas e atiro-me empoeirado ao sol que se interpõe nos aromas florescentes do Estio. Estou feliz. E é bom estar vivo. E sinto-o como a hemoglobina.
Escrevo-me no texto.