10 setembro 2011

Sinais inflamatórios vários



Para a tua pergunta adesiva eu tinha a resposta inflamatória do âmago, um príncipe pardo na ponta da língua com uma proposta monumental, três ou quatro metros quadrados de sílabas que passado um segundo já nada significavam, a difícil manutenção do meu olhar precipitado enquanto falavas, falavas, como se falar fosse a única forma adequada de sustentação, de apaziguamento terrestre, de gravidade seleccionada, tu falavas e eu escondia-me atrás da reputação sólida das tuas palavras, deitado no divã da recepção, presente, mas atrás do diálogo, só para te ver falar, tirava o som do teu ser e ficava a ver-te falar, os lábios a mastigarem silêncios e realces (e a própria mudez artificial), os dedos que dançavam entre os dédalos e os privilégios do acaso, segurando um cigarro ainda intacto, os magníficos vitrais na abóbada de um gesto menos pensado, a grinalda do sopro que chegava, apesar da fonte inaudível, a tocar as minhas mais profundas convicções imorais.