19 outubro 2011

da génese genialéctica das farpadeiras


As farpadeiras surgem aquém do além, enquanto o medíocre é fluxível na diatribe do oxidental. No desenterro da arqueologia transmutada geneticamente, uma comprovação das iminências do homo territorialis. Com carbonização sem catorze.

O manuscrito escrito em máquina automática de movimentação de penas de galinhas hidráulicas, negras por estar de noite, com tinta à mesma cor elucidava a catadupa da verve mediocrozóica. Período no antes e no depois da era cretinácea, como constante em qualquer manual de historiografia metalúrgica erotológica. Inclusivamente nas mesmas versões mas em automático. Assim se sabe por figurar a datação em rodapé, não deixando de elucidar uns milhares de anos acristionados, em clara profecia do porvir sem se vir. Antiguidades.

O desenterro de tais cunhos humanos de importância superlativa até em bolsas extravasam a honestidade absoluta, não fossem terem sido enterrados por mim mesmo, para desenterros por mim próprio, em lugar que tão-somente eu conhecia e o continuei. Ora a verdade escreve-se e enterra-se. Desenterra-se e reescreve-se. Os contrários podem ser menos fidedignos mas sim fidalgos, por serem filhos de algo. Confirma-se algo pela sua descendência.

Ora consta que nesse tempo imemorial se escrevia para não se perder a memória. Caso raro mas nem sempre nessas eras primevas anteriores ao invento do feldspato pelo médico autodidacta patóstenes de felbos, em livro de mesmo nome ao do advento.

Ora o testemunho que aqui temos em cima dos lençóis relata o nascimento das farpadeiras, que posteriormente são resgatadas no renascimento através da pena da minha galinha preta, pois também agora está de noite. Um cunho inolvidável da imemorabilidade.

Tal antiquário redigido na minha língua materna pelo meu pai ser decapitado conta então como lucrécio rasgão emprega  a genialidade de cruzar arames farpados com várias espécies vivas, embora algumas a roçar os mamilos da morte. Tudo em busca da coisa que hoje já não se busca por existir. Refluxos do génesis oxidental.

Iniciou-se então pela base não fosse o telhado do raciocínio ruir.

Pelas erupções cutâneas coagularem as seivas, lembrou-se tal erudito da necrobiologia e ciências derivativas das cópulas cruzadas, entre as bandarilhas oxidadas e as concubinas do templo de rasgão ao qual presidia e presidiava. Mas tais ensaios brutalizados nos sexos não surtiram o cruzamento das espécies. Surtiram antes hecatombes de laivos metalizados, que efectivamente eram cruzamento perfeito do feminino e do metal.

As lágrimas salinas do prazer que o era porque sim, e porque tal templo assim o exigia, oxidavam mais as bandarilhas e faziam crepitar mais apoteoses gemidas que se entrelaçavam como o arame farpado se entrelaça entre si até ser um só, sem contudo soltar bramidos. Os concubinos.

Era todo um arrebatamento que se ouvia à escala cósmica, mesmo pelas frequências inaudíveis que todavia entram cérebro adentro como ceifeiras enferrujadas que provocam tesões instantâneos, que por o serem não se sabem porque são. As concubinas.

Na componente fisiológica de tais experimentos apenas litradas de sangue infecto que luzia ao sol, como que metalizado porque nessa altura já não estava de noite. Já as fêmeas do templo sangravam sem se darem à luz, porque para elas estava de noite cerrada não obstante estarem deveras falecidas devido ao rasgão.

Certos tempos após tais feitos sem efeitos, lucrécio rasgão apercebeu-se da impossibilidade de tais cruzamentos, visto as concubinas e as bandarilhas não mais fazerem que exporem aos ventos ossos e ferrugens estáticas porque ultrajavam a vida por não o estarem.

De visita fugaz à depressão cedo se desvisitou para se orientar na necrobotânica afigurada infalível, até que se deixasse de o ser. A nova chama crepitou-lhe nas nádegas por ser inverno e estar demasiado perto da lareira. Foi-se então às árvores de farpas em riste e inoculando uns milhares delas nos poucos tempos de vida que lhe precederam a morte devida aos tumores nadegulares.

Foram ainda diversas voltas e desvios do sol, lua e restantes coisas saltonas nos céus que não sabia contar pelos dedos pois estes rapidamente se esqueciam, mas que asseguraram o tempo necessário a tal derradeiro projecto. Enfiava as farpas como se nunca tivesse penetrado nada em existência, num fora e dentro de farpofrenia acirrada entre suores que logo solidificavam no vaivém do êxtase. Veio-se várias vezes sem se vir, sem nunca se preocupar em assumir paternidades.

A morte sim.

Essa veio-lhe fulminante como o orgasmo que nunca chegou a sentir dentro das árvores do fruto farpado, estando os seus ossos hoje perdidos por nunca se haverem encontrado nem em vida. Tais empreendimentos universalizaram-se não obstante lucrécio rasgão os não ver.

Os cruzamentos genéticos e genialécticos entre farpas e botânicas originaram aquilo que vulgarmente se designa por arames farpados religadores de sebes, que não obstante tais impropérios se designam desde sempre que o sempre destas coisas existem, por farpadeiras.

Proliferaram como moscas encarrapitadas em coprólitos ainda molhados fornecendo ao homo territorialis o início da sua cadeia alimentar, por a presidiar num vulgo território e por vezes terrortório. Carreirismo.

Nomeou-se de garamiçadeiros pequenos arbustos de arames farpados vulgarmente usados para territorializar o próprio corpo contra imperialismos alheios numa clarividência de preservação da própria cadeia alimentar, vulgarmente designada de autofagia.

Hoje em dia e até à noite lucrécio rasgão possui uma estátua invisível em cima de cada farpadeira e garamiçadeiro, tanto pela invenção de si mesmo como pela das inovações genéticas, sobretudo pela lembrança dos tumores nadegulares que lhe fizeram expiar e expirar a existência. Pois tais transmutações genéticas também incendeiam.

bruno miguel resende