20 outubro 2011

uma caverna vasodilata no timbre dos olhos


um temor cilindra a boca
cai a chuva em imagens e um nauseabundo cheiro a rosas

a mãe abre as costas placentárias:
a vagina do real estonteia no clitóris das abelhas
e um pesadelo distorce o limbo subtilmente

há o cair da pele pela lagoa
na fibra do nenhures
o mote da existência é um rendilhado abandonado no útero
através de um trapézio anoitecido
nas sombras da vela

uma caverna vasodilata no timbre dos olhos
carlos vinagre