19 dezembro 2011

Dissidente ou o apanhado novo


Se há o solo por onde vôo a pés de mim
e se hei eu de quedar aos céus indeparáveis
deparáveis se o sol balouça os olhos, agora
já onde ergueu-se tua morada dissidente
sobre uma lasca da calçada com um palmo
de medida, sem estrada, sem pé nela, agora
já onde ergueu-se tua morada à sucção
de entornados tijolos teus, sem barro, sem mãos neles

Se há de carregar o dia esta janela, o sol balouça
vertiginosa esta janela, se há a mão de carregar
Se há de encorajar o dia este estado, o sol carrega
desengonçado este estado, se há a mão de balouçar.

A tua casa, o teu estado, a tua janela
tua fronha morna sob o poente embriagado
hei de carregá-los à cabeça, agora o sol
que balouça meu telhado já bajula destemido
o apanhado novo de tua sorte, agora os sóis
hão de pousar as tuas novidades aos indeparáveis céus.
Agora deparáveis.

carolina caetano